Mercado de Fertilizantes Orgânicos

Mercado de Fertilizantes Orgânicos
Artigo para Outlook Globalfert 2020
Escrever sobre mercado neste momento, quando somos assolados pelos efeitos
catastróficos da pandemia, torna-se uma tarefa difícil e, de certa forma, desafiadora na
busca de inspiração para tal, quando os sentimentos de angústia e tristeza são
predominantes em todo mundo.
Afirmar que a pandemia impactou de forma avassaladora o mercado é chover no
molhado. Somente alguns pouquíssimos segmentos apresentam crescimento em um
momento como este, como a indústria de máscara de proteção, fabricantes de aparelhos
de respiração para citar alguns.
O setor de fertilizantes como um todo deve sofrer um encolhimento que há muito não
sofria. Desde 2011, as entregas de fertilizantes no mercado brasileiro vêm crescendo
ano a ano, exceção em 2015 que experimentou uma queda. 2019 deve fechar em 36
milhões de t de fertilizantes entregues, apontam os dados da ANDA, a associação que
representa o setor de fertilizantes minerais.
Importante atentar para outros dados de grande relevância para a indústria nacional de
fertilizantes que a ANDA publica: o comportamento da produção nacional e importação
de fertilizantes intermediários ao longo deste mesmo período, quando ambas
apresentaram desempenhos opostos.
Enquanto a importação destes insumos saiu de 19,8 milhões de t em 2011 para mais de
30 milhões de t em 2019, a produção interna fez o caminho inverso, saindo de 9,9
milhões de t para menos de 7milhões de t em 2019. Neste caso, observam-se 2 quedas
abruptas nos anos de 2017 e 2019 na produção nacional.
Esses dados demonstram que aumentou o grau de dependência do setor de fertilizantes
da importação de insumos.
Podemos resumir os dados acima da seguinte maneira, de 2011 a 2019:
Entregas fertilizantes no país: de 28,3 para 36 milhões t – salto de 78,3%
Total de intermediários (nacional mais importados) – 29,7 para 37 milhões t – salto de
80,3%
Interessante notar que o crescimento de intermediários foi ligeiramente maior que o
crescimento dos fertilizantes acabados neste período, muito provavelmente em função do aumento na opção por fertilizantes mais concentrados, que reduzem o custo de
aplicação.
Já o setor de fertilizantes orgânicos, que incluem os fertilizantes organominerais, não
sofreu nenhuma queda neste mesmo período. Seu crescimento é constante e
consistente. Só não são precisos os dados, pois grande parte das empresas fabricantes
deste tipo de insumo ainda não são associadas a INPAS –Associação Brasileira de
Insumos para Agricultura Sustentável e não compartilham dados tão importantes para
todo setor.
Em 2011 a estimativa de comercialização de fertilizantes orgânicos e organominerais foi
de 5 milhões de toneladas, segundo dados da Redefert Brasil e Plano Biomassa/INPAS.
A INPAS foi fundada em 2012 e em 2018 implantou um sistema para levantamento de
dados de produção e comercialização de insumos de base orgânica junto de suas
Associadas; por ser muito recente, ainda não dispõe de histórico de dados
representativo, visto que a maioria das empresas deste mercado ainda não aderiram ao
sistema.
Mas, podemos afirmar que a maior fatia de crescimento do setor deveu-se ao vertiginoso
aumento na produção e vendas dos fertilizantes organominerais, visto que nos últimos
15 anos diversas fabricantes fertilizantes agregaram a seu portfolio fertilizantes
organominerais. Segundo dados do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento o número de estabelecimentos produtores desta categoria de produto
saltou de pouco mais de 150 para próximo de 300 empresas registradas.
Passado o impacto inicial da pandemia sobre a economia mundial, começam a aparecer
os primeiros e tímidos sinais de retomada. Na agricultura, o setor mais fortemente
impactado é sem sombra de dúvida o de flores. Deve ser o primeiro a sofrer e o último
a retornar à normalidade, visto que no Brasil não dispõe de uma cadeia de distribuição
ancorada nas grandes redes varejistas.
O segmento de frutas, legumes e verduras, embora presentes em todas as modalidades
de varejo, sofreu impacto inicial forte devido à suspensão das feiras livres e
indisponibilidade para compra no sistema delivery dado sua perecibilidade e baixa
padronização.
Outras culturas consumidoras de fertilizantes orgânicos, como café e frutas com apelo
exportador devem resistir mais ao impacto no mercado interno causado pela pandemia
graças à subida do dólar e melhora no valor de troca.

Como falamos no início do texto, fazer alguma previsão em meio a conjuntura atual é
extremamente difícil. Mas a aposta da Diretoria para 2020 é de menor crescimento ou
estabilidade em relação ao ano anterior para o setor de fertilizantes orgânicos, com
preços menos voláteis e dependentes de insumos importados quando comparados aos
fertilizantes convencionais.
Carlos A.P. Mendes
Engº Agrº – Diretor de Fertilizantes Orgânicos/INPAS

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